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Projeto Isso é Maristão

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quinta-feira - 2 de dezembro de 2010

Área: BRASÍLIA - ENS. M.


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ESPIRITUALIDADE: EM QUE OS JOVENS ACREDITAM?

Desde muito cedo, por uma característica de nossa cultura ocidental, aprendemos a separar matéria de espírito, corpo de alma. À primeira, designamos o que é passageiro, fugaz; aquilo que um dia envelhecerá e morrerá. Pela segunda, compreendemos as coisas que nos transcendem, que geralmente não sabemos explicar e que são eternas. Quase sempre, nesse último caso, chegamos a Deus.  Não por acaso, quando buscamos no dicionário o significado da palavra espiritualidade encontramos simplesmente: caráter do que é espiritual e não material.


  Contudo, os últimos anos possibilitaram uma nova compreensão da espiritualidade. Na teologia, na filosofia, na arte, na literatura, nas ciências humanas ou naturais, nas religiões, o conceito ganhou novos sentidos e se aproximou muito mais da ideia de um ser humano integral. O filósofo francês, Michel Foucault, num de seus últimos cursos, chama de espiritualidade o conjunto de buscas, práticas, experiências, conversões do olhar e modificações de existência que constituem uma nova forma de nos relacionarmos com nós mesmos, com o mundo e com o transcendente. Nesse sentido, podemos afirmar que a espiritualidade refere-se a um jeito de ser, a uma maneira de viver. Tem muito mais a ver com a força, a alegria e a vida de que dispomos em nossa existência cotidiana.


 E onde essa força, essa alegria e essa vida se revelam com maior intensidade senão na própria juventude? Qualquer olhar mais atento perceberá que a espiritualidade juvenil se manifesta em suas convicções e atitudes, sempre recheadas de esperança, de solidariedade, de paz e de justiça. Mostra-se na abertura ao novo, na denúncia das injustiças e corrupções, na adesão efetiva a organizações que lutam por políticas públicas que garantam os direitos juvenis, na participação em espaços culturais e esportivos, na defesa de um planeta sustentável, na vivência da fé em suas variadas expressões, na vida familiar, na construção do conhecimento, como forma de preparação para o presente e para o futuro.


 Enfim, em que acreditam os jovens? Possivelmente jamais teremos a resposta, se primeiramente não entendermos que a espiritualidade juvenil nasce dos sonhos e utopias presentes no coração de cada jovem e que se cultivados tornam-se a energia transformadora da realidade. A partir disso, saberemos identificar o divino presente em cada rosto juvenil.

 


Fabiano Incerti - Mestre em Filosofia pela PUC-PR, doutorando em Filosofia pela PUC-SP. Assessor do Setor de Vida Consagrada e Laicato da Província Marista Brasil Centro-Sul. Membro da Comissão Internacional da Pastoral Juvenil Marista.

 

 

O jovem é dinâmico, capaz de lutar, de amar e de pensar de forma inovadora e tem por natureza o desejo de contestar. É incompatível mostrar à juventude um Deus que julgue e dite regras incontestáveis. Precisamos e queremos uma relação profunda com Deus, para que possamos nos sentir parte essencial da vivência da espiritualidade nas nossas relações com a sociedade.


 O jovem não é cético como muitas pessoas pensam. As dificuldades na relação com a igreja surgem por não conseguirmos enxergar a nossa própria face na comunidade religiosa em que nos inserimos. A vivência nas pastorais juvenis, como acontece no Maristão, proporciona ao jovem esse encontro com uma espiritualidade marcada pela pessoa e pelo projeto de Jesus, e inspirado por Marcelino Champagnat. Os grupos de jovens são um claro exemplo da vontade de viver com Deus como construtores de uma fé que reflita os seus interesses, seus amores e o seu dia-a-dia experimentando um contato profundo com Deus.

 

José Augusto B. da Costa Ribeiro – Aluno Marista (3º ano do ensino médio)

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