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Reflexões - Parte 1

Reflexões - Parte 1

quinta-feira - 22 de julho de 2010

Área: ARQUIDIOCESANO


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Gosto muito da expressão “livro de cabeceira”, mas prefiro usá-la sempre no plural. Não conheço ninguém que tenha UM único livro de cabeceira; o mais usual é ter vários deles – ou algumas vezes muitos deles – que se alternam de acordo com a necessidade, com as reflexões do momento, com o humor, com os acontecimentos do mundo, com os sentimentos experimentados etc.

Desde o primeiro dia em que publico este blog, tenho retomado com frequência um dos meus livros de cabeceira: o “Pequeno Tratado das Grandes Virtudes”, de André Comte-Sponville. Por quê? Principalmente pelo teor de muitos comentários aqui postados por diversos frequentadores deste blog que chamo de nosso.

Logo no meu primeiro post, depois que verifiquei as reações ao meu texto, li e reli o capítulo a respeito da polidez. E, com o decorrer do tempo, voltei aos capítulos sobre a tolerância, sobre a coragem e a compaixão e, depois, sobre a doçura. Claro que o que me motivou a leitura desses capítulos do livro foi o aparecimento do que considerei seus contrários em muitos comentários enviados.

Quem lê as reações dos leitores do blog constatou que, muitas vezes, fui profissional e pessoalmente ofendida pela posição que assumi em meus textos e isso aconteceu principalmente quando o tema era a escola e seu relacionamento com as famílias de seus alunos e/ou sua responsabilidade social no mundo contemporâneo.

Perdi a conta de comentários de leitores que se identificaram como professores que anulavam moralmente meus textos com o argumento de que eu nunca fui ou não sou professora e de que ignoro o que se passa em sala de aula - principalmente na escola pública – e, por isso, não teria autoridade para escrever a respeito do assunto. Esse argumento é frágil. 

Um médico especializado em tratar qualquer tipo de patologia não tem autoridade e competência profissional por ter sofrido do mal que trata e sim por dedicar seu tempo a muito estudo, averiguação, pesquisa bibliográfica e sua prática. E sua prática não é ter a doença e sim relacionar-se com quem a tem. Por que seria diferente com quem se dedica a estudar a educação?

Também perdi a conta de comentários que simplesmente desqualificavam teoricamente alguns de meus textos ou mesmo de alguns de meus convidados – que apareceram nas entrevistas.

Em relação a isso, tenho a obrigação de dar dois esclarecimentos.

Primeiro: eu não crio conhecimento a respeito da educação. Eu apenas o recrio. Nada do que eu disse aqui já não está presente em bibliografia especializada, disponível para quem quiser encontrar.  O problema é que a educação, sua filosofia, sua metodologia e compreensão teórica, suas relações com outras disciplinas humanas têm muitas vertentes, vários caminhos interpretativos. Meus textos apenas revelam as escolhas teóricas que faço.

Preciso esclarecer também que desativei as entrevistas porque um de meus convidados foi muito agredido pelas declarações que deu aqui a respeito do tema “a violência na escola”. Na época, até mesmo uma comunidade no site Orkut foi criada para criticar a entrevista que ele nos deu. Para não provocar constrangimentos desse tipo a profissionais sérios, decidi não mais trazer convidados ao blog.

O próximo capítulo de minhas reflexões fica para um próximo post e é a respeito da liberdade de expressão e do conflito de ideias.

Até logo mais e um bom final de semana a todos.

 

FONTE: http://blogdaroselysayao.blog.uol.com.br/

 

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